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Miopia e presbiopia
foram reconhecidas e
diferenciadas entre si desde a antiguidade. Num trabalho atribuído
a Aristóteles, há uma boa descrição
subjetiva de ambas. Nessa época já eram usadas pedras
cortadas de maneira que possibilitavam sua utilização
como instrumento óptico.
Há relatos que chineses e árabes já utilizavam
óculos, mas no ocidente foi na Itália que os óculos
apareceram no final do século XIII. O maior desafio era manter
os óculos fixos no nariz. Demoraram mais de quatro séculos
para a idéia de apoiá-los nas têmporas com as
hastes e um século a mais para encurvar as hastes atrás
as orelhas. Eram disponíveis apenas lentes convexas.
Havia pouca procura de óculos até o século
XV quando Gutenberg inventou a imprensa e imprimiu a Bíblia.
Os livros se tornaram disponíveis, as pessoas queriam ler
e a procura de óculos aumentou vertiginosamente. As cidades
que se tornaram centros de impressão também se tornaram
centros de produção de óculos.
As lentes para miopia não eram disponíveis ate o século
XV.
No final do século XVI e início do XVII Maurolyco
e Kepler desenvolveram os Fundamentos da óptica fisiológica
e entendimento da miopia e presbiopia em termos científicos.
Isso iniciou uma longa série de descobertas e avanços
que culminaram com nosso presente entendimento sobre a refração
e o desenvolvimento dos óculos. A hipermetropia foi pobremente
entendida ate o século XVIII.
Thomas Young utilizou o optômetro (Fig03) através do
qual podia determinar o poder dos óculos requeridos para
corrigir a presbiopia e a miopia.
Através desse aparelho Young foi capaz de explicar o astigmatismo
no contexto da óptica fisiológica (1801) examinando
seu próprio astigmatismo, notando a diferença de foco
nos diferentes meridianos do olho.
Ware reportou mais detalhadamente casos de hipermetropia em pessoas
jovens e as relacionou às condições que ele
observava em seus pacientes pós-cirúrgicos de catarata.
Esses indivíduos requeriam dois pares de óculos, um
para visão de distância e outro mais forte pra leitura.
Ware notou, portanto, que o cristalino era necessário para
a acomodação ocorrer.
Entretanto foi só após os escritos de Donders meio
século após, que os médicos se convenceram
da existência, causa e tratamento da hipermetropia.
Seguindo as descrições do oftalmoscópio direto
por Hermann Helmholtz em 1851 e do oftalmoscópio indireto
ano seguinte, os oftalmologistas eram capazes de determinar o erro
refrativo usando esses instrumentos. O ceratômetro também
foi importante no desenvolvimento das técnicas refrativas.
Javal e seu pupilo Schiotz refinaram o instrumento possibilitando
seu uso em consultórios.
Em 1855 Helmholtz definiu a teoria da acomodação observando
o comportamento da zônula.
O teste do cilindro cruzado é introduzido por Stokes em 1849,
a tabela de acuidade visual desenvolvida por Snellen e em 1873 Cuignet
introduziu o retinoscópio.
A Dioptria - o sistema de designação das lentes de
acordo com seu poder dióptrico foi adotado no Congresso de
Oftalmologia de Heidelberg em 1875. 
Dessa maneira, no final do século XIX já se dispunha
de entendimento das ametropias esfero-cilíndricas (aberrações
ópticas de baixa ordem), acomodação, exame
da refração padronizado (retinoscópio, teste
do cilindro cruzado, caixa de prova com a graduação
das lentes em dioptrias), além do oftalmoscópio, do
ceratômetro e conhecimento básico das aberrações
Fig 04.
Do final do século XIX até o final do século
XX presenciamos extraordinário desenvolvimento das técnicas
cirúrgicas e também de equipamentos ópticos,
mas o exame da refração é praticamente o mesmo.
Não raramente encontramos situações na prática
diária da refratometria nas quais não há satisfatória
correção com uso de óculos. Um bom exemplo
são os astigmatismos irregulares (aberrações
ópticas de alta ordem) Fig05.
Fig05 Astigmatismo Irregular (aberração óptica
de alta ordem).
Nessas situações conseguimos que haja melhora da visão,
mas não atingimos o potencial total desses olhos. Os óculos
não são competentes para a correção
total porque a refração encontrada e prescrita é
a média das diferentes refrações encontradas
em diferentes pontos da pupila. Fig06.
Considerando a aberrometria com a possibilidade de identificar refrações
com discriminação de até 0,01 D, devemos repensar
o exame da acuidade visual medida com a tabela de Snellen e também
a interpretação que uma pessoa deva se satisfazer
com acuidade visual corrigida com óculos de 20/25 ou mesmo
20/20. O
mesmo raciocínio é válido para as cirurgias
refrativas uma vez que a ablação personalizada possibilita
que haja correção ponto a ponto das diversas refrações
encontradas e não apenas a correção da refração
média Fig07.
Em suma, com essa nova tecnologia poderemos quando necessário
praticar avaliação mais refinada da refração
diferenciando do exame realizado ao longo do século passado.
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